Leslie Leitão, do Rio de Janeiro
Patrícia Lourival Acioli, a juíza assassinada com 21 tiros em Niterói, assinou sua sentença de morte ao colocar ela própria e a magistratura no caminho de uma quadrilha de maus policiais que, até então, atuava à vontade no município de São Gonçalo, o segundo mais populoso do estado do Rio. O resultado da série de crimes praticados pelo grupo começou a vir à tona no ano passado, quando uma força tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil encontrou irregularidades nos autos de resistência do 7º BPM (São Gonçalo). Autos de resistência são a forma que as polícias têm para registrar as mortes em situação de confronto, geralmente quando a voz de prisão não é cumprida e os suspeitos passam a ameaçar a vida do policial. Na prática, Brasil afora, esses registros são também um mecanismo para ocultar abuso dos policiais, execuções, ‘queimas de arquivo’ e erros de tropas mal preparadas. Este era o alvo da juíza. E foram esses os seus algozes.
VEJA desta semana mostra que o trabalho dos promotores e dos policiais do núcleo de homicídios de uma delegacia daquela cidade, a 72ª DP (Mutuá), encontrou, nos autos de resistência registrados entre 2004 e 2010, um volume assustador de registros forjados: de 60 autos de resistência analisados, só seis eram verdadeiros, e 54 escondiam detalhes que enquadram as mortes no grupo de crimes cometidos por policiais – quase todos de PMS do 7º BPM (São Gonçalo).Patrícia Acioli, titular da 4ª Vara Criminal da cidade, passou, então, a receber o material das investigações do MP e da Polícia Civil e, como manda a função, a decretar as prisões de policiais envolvidos em autos de resistência forjados. A insatisfação com as prisões se espalhou entre os maus policiais da região, e o nome da juíza entrou para a lista de inimigos da quadrilha. Curiosamente, os crimes de execução e a corrupção ficaram por um bom tempo escondidos por dados oficiais de criminalidade. O coronel Mário Sérgio Duarte, exonerado a pedido na quarta-feira do cargo de comandante-geral da PM, afirmou que o então comandante do batalhão de São Gonçalo, tenente-coronel Cláudio Luiz Silva Oliveira, vinha conseguindo reduzir os índices de criminalidade








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